| Um Futuro a Defender - Episódio 2. |
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| Episódios - Um Futuro a Defender |
| Escrito por Miguel Perez |
| Qui, 18 de Maio de 2006 06:41 |
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O salto ocorreu sem maiores dificuldades, ao final da primeira contagem. - Bem... aqui estamos - comentou o comandante. - Iniciar varredura! O processo durou apenas alguns segundos. Então um homem gordo com aparência desleixada, dentro dos limites em que isso é possível sendo-se um militar, disse: - Senhor, a varredura indicou 209652 estrelas em nosso cubo de mapeamento. Isso representa uma densidade estelar 97,569 mil vezes maior que a existente no setor do Sol ou, em média, uma estrela para cada 95,396 microparsecs cúbicos. - Pois bem, vamos começar! A viagem, a bordo do Omicron 4, já se estendia por cinco meses. As comunicações eram precárias e os ânimos começavam a ser afetados. - Pare com as piadinhas cara! Você está passando dos limites da sorte, não acha?! Um inocente jogo de cartas, que costumeiramente era usado pêlos tripulantes para passar o tempo nas horas de folga, começou a complicar-se. - Você está insinuando o quê?! - Inquiriu o chefe da manutenção, Korsakoff. - Seja claro! - Com o punho serrado levantado diante do rosto do outro. - Quer que eu seja claro, não é? Pois bem. Vou te dizer algumas verdades. Em primeiro lugar... - foi interrompido por um empurrão dado por Lauu D'cler que quando já estava por atirar seu corpo franzino sobre a gorda estrutura de Korsakoff parou repentinamente ao ver o comandante que se aproximava. Meio desajeitado Lauu tentava colocar seu uniforme em ordem enquanto o gorducho homem da manutenção iniciava suas explicações. - Senhor - começou fazendo continência - sabe como é. A gente bebe um pouco... o carteado esquenta e... - Está bem! Está bem! - Interrompeu Crauck's. Os dois brigões ficaram calados enquanto o comandante fazia um circulo andando em torno dos dois e os observava de forma reprovadora. - Mas senhor... - Cale-se! Não quero explicações. Filmor, que estava chegando agora, percebendo o peso do ambiente, tentou intervir. - Comandante! - Cale-se! Estou tentando resolver um problema aqui. O imediato obedeceu. Crauck's percebendo o que estava ocorrendo disse: -Dispensados! Mas que isto não torne a ocorrer ou será suspensão na certa. Entendido? Os homens fizeram continência e retiraram-se rapidamente. O velho comandante, um experiente homem do espaço, olhou pensativamente para Filmor. Sabia que a situação estava tornando-se difícil. "Cinco meses. Apenas quatro mil estrelas devidamente catalogadas e analisadas". Suspirou. O trabalho mal havia começado. Nesse momento, repentinamente como num relâmpago, surgiram em sua mente as memórias da época em que perdera o comando de sua nave e ficara executando trabalhos burocráticos em uma daquelas bases da periferia da federação devido a uma acusação de negligência que partira de Filmor. O mesmo Filmor que agora encontrava-se ali, diante dele, seu subordinado direto. "Maldito! Se não fosse tão jovem provavelmente estaria em meu lugar. Eles o colocaram aqui para me derrubar. Desta vez será diferente! Eu não..." - Senhor?! - Falou o imediato, tirando o comandante de seu passeio pelo passado. - O que houve? Fale! - Senhor, o problema é que a tripulação esta aflita com a falta de comunicações e a demora nos trabalhos. Eles acham que deveríamos fazer uma análise mais superficial e rápida. - Sim? - Um tanto irônico. - E você, o que acha? - Eu? - Engoliu em seco. Hesitou um pouco e prosseguiu. - Eu concordo com a maioria. Afinal não deixaríamos de cumprir nossa principal tarefa. Mapearíamos tudo que tínhamos por objetivo mapear. Só não levaríamos para casa informações tão minuciosas a respeito da todas essas estrelas, mas isso pode perfeitamente ser deixado para expedições futuras. - Sei! - Observou Crauck's, fitando-o de soslaio. O comandante era um Lobo do espaço. Já meio fora de forma e mesmo ele não ignorava seus quilos a mais e seus escassos cabelos brancos. Não tinha ilusões quanto a sua aparência, mas tinha esperanças, mesmo sem ter os atrativos físicos que tanto agradam as mulheres, de encontrar uma parceira quando regressasse para casa. Esta era sua última missão e sua chance de encerrar a carreira com honra, enterrando de uma vez por todas aquele passado de inglórias Ele vivia em Marte, sob uma das primeiras biosferas instaladas com sucesso pelo homem e tinha uma linda casa com um jardim do qual cuidava com esmero quando conseguia arranjar tempo. Sentia saudades da sensação de tirar os sapatos e pisar a grama molhada, mas a cada minuto que passava acreditava menos na hipótese de que isso voltasse a acontecer. Sua experiência e intuição diziam-lhe que as coisas iam piorar hora após hora, dia após dia, e que deveria tomar muito cuidado. Após uns instantes perdido em seus próprios pensamentos Crauck's disse: - Nada posso fazer! Tenho minhas ordens, e pode apostar... as cumprirei, ao pé da letra! O imediato fez continência e quando deu meia volta para retirar-se ouviu a grave voz de Crauck's. - Diga-lhes que pensarei no assunto. Não foi o que fez.
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| Última atualização - Qua, 06 de Maio de 2009 09:23 |
















































