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Um Futuro a Defender - Episódio 7. PDF Imprimir E-mail
Episódios - Um Futuro a Defender
Escrito por Miguel Perez   
Dom, 10 de Fevereiro de 2008 21:18

O sinal sonoro do intercomunicador tocou no quarto de Filmor e tirou-o de um estado de concentração depressiva tão intenso que parecia catatônico.

- Sim...? Imediato Filmor!

- Aqui é Crauck's. Venha até minha cabina! - ordenou desligando imediatamente.

Cinco minutos depois Filmor estava diante da porta do alojamento de Crauck's aguardando, um tanto impaciente, que aquela luz vermelha acima da porta desse lugar a verde que indicaria que ele podia entrar. Quando começava a acreditar que Crauck's o estava fazendo esperar propositalmente o sinal mudou.

Crauck's não podia evitar que a cada vez que olhava-se aquele rosto as lembranças lhe viessem a mente. O testemunho daquele que estava diante de si o havia colocado a margem do progresso durante anos e... Sacudiu a cabeça para jogar para longe aquelas lembranças.

- Senhor Filmor. - iniciou muito formalmente. 

Estava sentado em sua cadeira, confortavelmente reclinado para trás com o braço direito esticado, a mão sobre a mesa tamborilando uma velha canção e os olhos no teto.

- Temos um grande problema aqui - continuou. - Estou quase certo que alguém, um daqueles gordos e fedorentos burocratas do comando, quer que esta missão seja um fracasso! - fitou o outro por alguns instantes. - O que acha?

- Não sei dizer senhor. O que o leva a pensar assim?

Ambos estavam encarando-se ferozmente, olhos nos olhos.

- Veja bem. Quem em sã consciência, desejando o sucesso desta missão, encheria esta banheira velha de novatos e... principalmente nos colocaria lado a lado no comando?
Um pesado silencio encheu o ambiente enquanto 

Filmor pensava no que avia ouvido.

- Observando por esse angulo parece ter razão, senhor.

- Mas ainda a mais! Acredito que tenham um olheiro aqui entre nós.

- E quem seria ele? - perguntou Filmor encarando Crauck's com um olhar devorador.

- Não faço idéia - deixando a cadeira coloca-lo na posição mais vertical. - í‰ por isso que preciso de você. Você esta mais próximo da tripulação e pode chegar a um nome mais facilmente.

A quilo deixou Filmor surpreso e o restante da conversa prosseguiu em um tom mais amistoso depois que ele concordou que ambos deveriam esquecer as coisas do passado e trabalhar juntos pelo bem da nave, da tripulação e até mesmo da confederação.

- Então vamos em frente! - encerrou Crauck's jovialmente.

A porta fechou-se atrás de Filmor que caminhou pelo corredor em direção a sue alojamento com os olhos fixos no chão e os pensamentos em turbilhão, tentando descobrir onde Crauck's, aquele velho lobo, estava querendo chegar. 

Parou diante de uma das escotilhas e observando o espaço lá fora sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha.

Crauck's andava de um lado para o outro em sua cabina como um animal enjaulado. Precisava entender o que estava acontecendo. Qual seria o objetivo dessa estranha trama? Haveria mesmo a tal trama? Não! sobre isso não tinha mais duvidas, mas quem seriam os envolvidos?

* * *

Já estavam orbitando o gélido planeta a quase duas semanas e nada havia de novo. Nenhuma nova transmissão para acalmar os ânimos da tripulação ou diminuir as desconfianças de Crauk's e a verificação feita nos equipamentos de comunicação mostrara que tudo estava dentro das especificações. Vários metais foram detectados sob a superfí­cie, em generosas quantidades. Microorganismos foram observados nas águas dos mares, agora conhecidos como "MAR NEGRO" e "MAR CíSPIO"; dada a semelhança destes com aqueles da velha terra. Alguns tipos mais complexos de vegetais também e a hipótese de espécies maiores não estava totalmente descartada nas regiões mais profundas, talvez sob roxa sólida em cavernas.
Crauk's foi acordado pelo sinal sonoro do despertador e uma luz suave encheu o aposento. 
Espreguiçou-se e lentamente foi acordando. 

Estava tranqüilo. Não mais falara de espionagem com Filmor, mas mantinha-se atento a tudo e a todos. Esticou os braços, entrelaçou os dedos, e virou a palma das mãos para cima. Com um leve movimento fez com que todos os seus dedos, sem exceção estalassem e então relaxou.

* * *

Filmor estava no comando da nave a maior parte do tempo e gostava muito disso, mas já era hora de ceder seu lugar a Crauck's e não se entristecia, afinal tinha coisas a fazer. 
Olhou o cronometro e notou estar atrasado. 
Passou o comando a Augur Miranda e saiu.

No caminho para a ponte de comando, Crauck's, encontrou-se com o jovem Nestor. "Ele anda as voltas com mais um de seus brinquedinhos." pensou Crauck's. Conhecia bem o entusiasmo do garoto por pequenas engenhocas e foi dar uma olhada na última.

- O que tem ai desta vez rapaz?

- Senhor! Desculpe-me não o tinha visto ai.

- Não se desculpe. Fora da ponte somos amigos. Lembra-se?

- Tenho aqui um aparelhinho capas de captar ondas de radio ultra-altas. í‰ ótimo! Quer experimentar?

- Lamento mas já deveria estar na ponte a muito. Não é bom deixar Filmor acreditar que manda em tudo. Não é?

- Pode-se captar milhares de coisas com isto. Neste setor da galáxia há uma gama enorme de distúrbios que podemos captar. Experimente!
Crauck's, mesmo sendo uma amizade recente, conhecia bem a insistência do rapaz e decidiu que seria melhor ceder logo.

- Está bem. Como é que isto funciona. - já com o pequeno aparelho nas mãos.

- í‰ bem simples. Aperte ali.
Nesse momento La'Guer ouviu algo que não esperava. Um som estridente rico em variações de freqüência numa faixa muito larga. Não podia ser natural.

- Senhor isso é um sinal em código!

- O que?!

- Um sinal em código senhor. Um sinal de rádio!
Crauck's como um relâmpago desligou o aparelho.

- Bem rapaz, terminou a brincadeira. Gostei de 
seu brinquedinho! Posso levalo?

- Mas senhor o sinal...

- Bobagem. - interrompeu Crauck's. - Você está enganado. Ninguém usa sinais de rádio a séculos.

O rapaz ficou de pé no meio do corredor, vendo o velho comandante afastar-se, sem entender nada.

Crauck's não foi mais para a ponte, retornou a seu quarto e ligou o computador.

- Freqüências ultra-altas disse ele. O que será que vem a ser isso, exatamente - pensava ele em voz alta. Deveria ter-lhe perguntado. Maldição! Ainda é cedo demais para que alguém fique sabendo. Poderia espantar a nossa presa.
Crauck's manuseava os controles de programação do computador com destreza. Vasculhava todas as faixas de freqüência de rádio que poderiam ser consideradas altas e nada. De repente um sinal foi captado e a freqüência de modulação identificada, mas desapareceu tão inesperadamente que o velho Astorm não pode localizado.

Crauck's entrou na ponte com a tranqüilidade de sempre.

- Bom dia senhores! Acho que meu despertador teve piedade de mim! - brincou com o atraso.

- Bom dia senhor! - respondeu Miranda. - O comando é seu! A situação não mudou. Pensamos ter captado algo momentos atrás mas não passava de um pulsar. Esta região tem muito a nos ensinar. Ninguém está acostumado a trabalhar com coisas do tipo das que temos por aqui.

- Tudo bem. Pode descansar agóra. Sei que não estão sendo fáceis para ninguém estes últimos dias.

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Última atualização - Qua, 06 de Maio de 2009 09:52
 

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