| A Casa na Montanha |
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| Escrito por Miguel Perez |
| Qua, 07 de Janeiro de 2009 08:24 |
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Enquanto buscavam diversão jogando e tomando drinques o dia passava lentamente. A temperatura caíra bastante. O lago, logo abaixo, estava imóvel. Parecia um espelho negro a refletir o céu nublado. Um sentimento estranho tomou o coração de Luzia, que resolveu recolher-se, na esperança de que aquela tristeza profunda a abandonasse. Os demais - Bárbara, Gabriel e Lucas - resolveram jogar cartas e tomar um vinho. A noite já chegara há umas duas horas e o jogo continuava. O vinho quase no fim. Luzia viu-se cercada por árvores. Olhou no entorno, tentando divisar algo conhecido, mas nada encontrou. Não compreendia como chegara até ali. O profundo sentimento de opressão não a abandonara. Fazia muito frio. Ela estava com roupas leves e podia sentir o contato da relva úmida com seu corpo. Um calafrio intenso lhe subiu pelas costas. Uma forte sensação de estar sendo observada. Queria correr, mas algo a impedia. Moveu-se lentamente por entre a mata. Os pés descalços ressentiam-se do frio, da umidade e do solo irregular. Depois de alguns passos viu, de longe, a casa grande. Estava diferente. A mata a sua volta era mais densa. Os carros em que vieram não estavam mais lá. Teriam a deixado para trás? Sua atenção foi atraída para uma trilha estreita na mata, pelo som de gravetos se partindo. Inexplicavelmente, mesmo tomada pelo medo, correu naquela direção. Nada viu ao chegar a trilha. Não havia nenhum vento, as árvores pareciam tétricas esculturas e o contraste de luz e sombra delineava sombrios contornos. Ouvia ao longe o som de pássaros silvestres e outros que não conseguia identificar. Lembrou que pela tarde deveriam partir. Voltariam à cidade e ao trabalho de todos os dias. A lembrança daquela estranha casa grande diferente, que vira instantes antes, a deixou confusa. Sua mente não conseguia conciliar as informações. Novamente um som na trilha adiante a fez sair em disparada. Desta vez parecia um murmúrio. Um diálogo sussurrado. Correu por vários metros e parou sem fôlego. Sua roupa estava úmida e o frio fazia-se sentir, impiedoso. Agora pode reconhecer o som. Era na verdade uma lamúria quase inaudível. Moveu-se cuidadosamente pela trilha. Em dado momento teve de embrenhar-se na floresta, fora dela. O coração disparado na garganta. Mal podia respirar. Os pés machucados pela corrida. As pernas fraquejando. A visão foi estarrecedora. Uma jovem, com roupas antiquadas, deitada no chão e um imenso cão negro a observa-la. De algum modo sabia que a moça estava viva. O cão voltou seus diabólicos olhos vermelhos e brilhantes para ela e depois de fita-la por alguns segundos marchou floresta adentro. Luzia se aproximou e a moca no chão abriu os olhos a um toque dela em sua face. - Tudo bem. - disse Luzia, como que respondendo a pergunta silenciosa nos olhos da estranha jovem. - Devemos sair daqui. - continuou. - Eu não tenho como sair. - respondeu a pálida garota, em língua desconhecida, que sem saber como, Luzia compreendeu. - Como não pode sair? - Este é meu lugar. Vivo nestas matas a tanto tempo, que nem lembro de nada antes. - Como? - Acho que sempre estive aqui! - Mas e aquela criatura... - Vivemos em harmonia, somos como a luz e a escuridão. - explicou calmamente a fantasmagórica jovem de pele muito branca, cabelos ruivos e nariz aquilino. O rosto magro lhe dava um ar triste. - Como se chama? - quis saber, Luzia. - Não sei. - Por que estava inconsciente no chão da mata?: A moça pareceu buscar resposta em alguma parte de seu interior e falou: - Uma anergia ruim. Um mau agouro poderoso de abalou. - E o cão? - Apenas guardava-me. Como disse, vivemos em harmonia. Você e seus amigos, devem partir! - Nós vamos amanha. - Agora! - exclamou a garota com urgência na voz e nos olhos. Nesse momento,. Luzia viu: Os rochedos se desfazendo sob fortes chuvas e rajadas de vento impiedosas; Ela e os amigos tentando desesperadamente escapar do deslizamento sem poder nada fazer; A casa grande sendo destruída; Os carros sendo lançados longe; Gritos, gemidos, som de ossos quebrando. A casa foi varrida. Desta vez era a casa que ela conhecia. Viu a sim mesma e a seus amigos sob tijolos, lama e rochas. Podia sentir a dor lancinante de todos. Sentia na boca o sabor amargo da morte. Eletricidade percorreu todo seu corpo e pode perceber a ligação com seu corpo a se desfazer. Em meio a escuridão que sobreveio, reconheceu o rosto da garota. Parecia iluminado. Transmitia profunda paz e calor. - Vá! Luzia abriu os olhos. Estava em sua cama. Levantou-se de um salto. Eram seis da manha. - Vamos! Vamos! - gritava, golpeando violentamente a porta dos dormitórios onde os amigos repousavam. - Hei! Que droga! - Esbravejava, Gabriel saindo do quarto, sonolento e com os cabelos embaraçados. - Essa doida ai! O que aconteceu? - perguntou Barbara. Lucas pareceu alheio a tudo por uns instantes. Até que Luzia relatou seu sonho. Diante dos amigos incrédulos, Lucas começou a arrumar suas coisas. - Eu tô vazando! Quem quiser carona, é melhor se apressar. - falou, já com a mochila nas costas e os tênis desamarrados. Uma meia de cada cor. - Eu tive o mesmo sonho. - concluiu. Quinze minutos mais tarde os carros passavam em alta velocidade pela porteira da propriedade. Chovia muito forte. O som dos rochedos esmagando a casa grande foi assustador. Luzia podia ouvir e lembrar. Assim como Lucas. Nenhum deles teve coragem de olhar para trás. O ranger dos ventos fortes por entre as arvores podia ser confundido com o uivo de um anmal feroz. FIM. |
| Última atualização - Qua, 06 de Maio de 2009 16:51 |
















































